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Libreville
Gabon
FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE PESSOAS DEFICIENTES
Par Pascal Benga Tonangoye
Juntamente com alguns amigos e o tímido apoio do ministério dos assuntos sociais criámos, em 2002, a Federação nacional das associações de pessoas portadoras de deficiência.
O universo da deficiência, no Gabão, está longe de poder considerar controlado.
A única coisa que podemos dizer e que brota da consciência popular é que qualquer pessoa portadora de uma deficiência é suspeita de feitiçaria. A consciência popular pensa que a deficiência é o preço a pagar por aqueles que são feiticeiros. Os deficientes são, pois, considerados como místicos e, em consequência disso, não são bem-vindos na organização da sociedade. Não devem ir à escola. Não devem casar. De uma maneira geral, não devem ser integrados na sociedade.
Este preconceito da consciência colectiva preside ainda às políticas que têm em vista o apoio a pessoas em situação de deficiência. Todos os textos legais elaborados no sentido de proteger pessoas em situação de deficiência não são concretizados. Os trabalhadores sociais dão livre curso à sua emotividade e, por conseguinte, cobrem com uma capa de chumbo de compaixão aqueles que deviam ajudar a erguer-se e a pôr-se a caminho para a vida.
Em lugar de promover a autonomia, fazem assistência. Em vez de promoverem a integração, suscitam a marginalidade e criam guetos; Não é surpreendente, por isso, encontrar em Lbreville o que se chama pomposamente locais para deficientes onde eles literalmente apodrecem numa promiscuidade total
Foi isto que marcou o ponto de partida da FEDERAÇÃO que tivemos a honra de dirigir durante mais de 6 anos.
A maneira de olhar a pessoa deficiente poderá mudar e nós esperamos bem que isso acontecerá. Basta que a pessoa com deficiência esteja convencida disso.
As redes como a nossa podem ajudar a essa mudança. As autoridades dos nossos países têm muito medo da publicidade desfavorável. Uma acção nesse sentido pode decidi-las a ter em conta o problema da deficiência.
A outra acção que já sugerimos às autoridades gabonesas, aquela que pode ajudar as próprias pessoas com deficiência, é escolher na comunidade pessoas com deficiência, modelos de êxito e apresentá-las aos olhos de todos valorizando-as.
Estas duas acções, em nossa opinião, podem ser para estas comunidade uma espécie de PENTECOSTES.
Pascal BENGA TONANGOYE
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